Olá!
Eu sou Sílvio, o homem da Rô, afinal ser o homem dela é bem melhor que ser apenas o marido. Mas só para constar, sou o marido também.
Ainda não escrevi nada sobre a nossa gravidez, e agora que a Moema nasceu a Rô me pediu para escrever algo para ela colocar aqui no blog dela.
Não sou muito de escrever, muito embora de vez em quando consiga escrever algumas coisas até direitinho. Não sou machista, muito embora o começo do post possa dar a entender isso, é que esses termos marido e esposa são um tanto quanto forçados, prefiro ser o homem da Rô e que ela seja a minha mulher. Tem mais paixão assim. Mais força.
Mas não estou aqui para escrever sobre isso não é.
Bom, tudo começou, quero dizer, no começo era tudo escuro… Então fez-se a luz!!!
Acho que não preciso começar de tão longe assim.
Eu e a Rô estamos casados desde 14/02/1998 e namoramos desde setembro de 1992.
No começo nem sabíamos direito o que estava acontecendo direito. Não foi um namoro premeditado. As coisas apenas foram acontecendo, e acontecendo elas foram dando certo e fomos continuando até que, quando vimos já estávamos casados há onze anos…
E num belo dia de junho quando chego em casa do trabalho e estamos na mesa para jantar ela me diz que já sabe qual o nosso próximo carro. Eu olho para ela meio que sem entender, ela escondia algo em suas mãos embaixo da mesa e nesse momento ela posiciona sua mão sobre a mesa e me deixa ver. Ela tem um folheto em suas mãos, um fôlder. A foto na primeira página do fôlder não me deixa dúvidas. Não que não quisesse esse carro, somente não tínhamos planejado a sua aquisição, mas como muita coisa em nossa vida, veio sem que tivéssemos planejado. Era um fôlder da Tutto Chicco com um carrinho de bebê. Ela foi criativa e me deixou bobo. Perguntei se era verdade, ela me disse que estava com a menstruação atrasada e que já tinha feito um teste de farmácia. Engraçado é que ela havia realizado check-up a duas semanas e não tinha dado nada. Como podia???
Em outro belo dia, estava no trabalho quando ela me liga me dizendo que tinha me enviado um e-mail e queria que eu visse. Olhei e não entendi nada. Era o resultado do exame de sangue que ela tinha feito e o tal do Beta HCG estava acima de 3300. Quer dizer então que ela estava mesmo grávida de 3 a 5 semanas??? Ela disse que sim. Só para confirmar, ligamos para uma amiga médica (Oi Jú) e falamos pra ela do exame. Palavras da Jú “É amiga, você está bem grávida mesmo.”
A Rô não tinha dúvidas, afinal a primeira coisa que mudou nela foram os seios. Delícia.
Eu não sabia bem o que pensar. Não estava planejando ser Pai, mas nós já tinhamos conversado sobre isso e a conclusão havia sido: “Se vier tentaremos ser os melhores pais do mundo.”
Ela curtiu bastante a gravidez e graças Deus, a Odin, a Buda e todos os demais, ela não teve um enjôo, desejo ou qulquer outra coisa chata. É Rô, a única história que você vai contar da gravidez para a Moema é que você não teve nada. Para mim, como futuro Pai, foi estranho ver minha Mulher com os seios cada vez maiores, deixando de se preocupar só com ela ou comigo para se preocupar com o bebê. Deixando de fazer ou comer ou beber o que lhe desse na telha, afinal estava grávida e ela agora tinha responsabilidades para com a pessoinha dentro dela. Eu não. Não sentia essa pessoinha, não via, embora percebesse as modificações no corpo da Rô, não é a mesma coisa.
Acredito que não fiquei bobão. Para mim,à exceção do que acontecia com a Rô, nada tinha mudado. Falemos para os amigos, familiares, colegas de trabalho. Espalhamos a boa nova e todos sempre vinham me dizer o quanto ia ser bom ser pai, o quanto eu ia mudar.
A gravidez passou voando. Na verdade quando ficamos mais velhos cada vez o tempo parece passar mais rápido. Claro. Afinal ao nascermos ainda não vivemos nada e o primeiro ano de vida leva toda a nossa vida para passar. Cada dia é uma eternidade. Com o tempo e os aniversários, cada vez um novo ano significa menos em termos das experiências que vivenciamos, sejam boas ou ruíns. Chega de filosofia.
Estávamos em plena reforma e a última consulta da Rô com a médica dela nos havia dado uma tranquilidade, afinal ela só estava prevista de nascer em 01/03/2010. Íamos curtir a folga do Carnaval, aproveitar para ver alguns amigos que a algum tempo não víamos, sairquando no sábado 13/02 às 06h20 a dona Rô me acorda quase que com um berro (exagero) dizendo que a bolsa havia rompido.
Nem sei se estava acordado ou se ainda estava dormindo, perguntei o que isso significava, se tinhamos que correr pro Hospital o quanto antes, o que deveria fazer? Lembrei que o pessoal da obra ainda ia pra casa no sábado pois haviam prometido entregar a parte que estavam fazendo naquele período até aquele dia. A Rô me disse que eu podia ficar calmo porque se não houvesse sangue poderia levar até 2 dias pra nascer de verdade. Tudo bem nada, menos de meia hora depois houve um pequeno sangramento. Já havíamos ligado para os pais dela para virem para nossa casa e também para um casal de amigos para que ficassem ajudando a cuidar da obra.
Quando meus sogros chegaram em casa, a Rô já estava com contrações e decidimos ir o quanto antes para o hospital. Meu sogro decidiu ficar em casa dizendo que ia poder ajudar em nada e que alguém tinha que ficar para receber o povo da obra, afinal a obra estava atrasada e tinha que terminar o quanto antes. Não discuti, peguei a sogra e a Rô e fomos para o hospital.
Lá fomos direto para a emergência, onde fomos prontamente atendidos. A médica, após os exames constatou que já havia dilatação de 4 a 5 centímetros e manteve a Rô na enfermaria enquanto eu preparava a papelada par a internação.
Oh coisa demorada. E isso porque temos plano de saúde. A impressão que tenho é que, devido ao fato de o SUS ser tão absurdamente demorado, cheio de filas e de gente, aceitamos o tempo e as filas que os hospitais particulares no empurram. Pelo menos são menores que as do SUS, se serve de consolo. Houve ainda um problema, devido ao fato de a Rô estar ainda com 37 semanas e 5 dias, havia a necessidade de se prever um leito na UTI Neonatal para o caso de necessidade. O hospital estava com os 16 leitos ocupados me disse o atendente. Tive que aguardar um tempão a liberação (pode até ter sido menos de quinze minutos, mas me pareceu que levou horas. A gente fica meio desnorteado com a mulher esperando na enfermaria da emergência para ter a sua filhinha). Enfim, saiu a liberação da internação e acredito que só porque o atendente entrou em contato com a médica para falar do problema de falta de leito e a médica disse que ia internar assim mesmo porque já estava com dilatação em 9 centímetros e que agora tinha que nascer.
Cheguei correndo na enfermaria e já estavam arrumando a Rô para levá-la ao centro cirúrgico. Minha esposa ainda não tinha decidido se queria parto normal ou cesária. Nessa hora não dava mais pra ela decidir. A médica disse que tinha que ser normal agora.
Deixei minha sogra com as coisas na espera e fui para o centro cirúrgico ficar com a Rô. Ela até que aguentou bem, acho, mas sentiu muita dor. Ainda mais pela dor no quadril que ela sente já a algum tempo. Gritou e apesar de dizermos para ela fazer força, chegou uma hora que ela não aguentava mais. A médica em um dado momento me chamou para ver a coroa da Moema aparecendo e mostrar que faltava pouco pra ela nascer. Uma enfermeira começou a ajudar a Rô empurrando a barriga dela. A gente perde totalmente a noção de tempo ali dentro. Um tempo depois a médica fez um corte na Rô e nasceu a Moema. Eram 11h34, a própria médica determinou o horário. Naquela hora ainda não era Moema, pois ainda não havíamos escolhido o nome, mas le a nasceu. Eu achei estranho. Ela saiu e não fez nenhum barulho. Não chorou. Era tão pequena. Pouco tempo depois ouvimos um choro e sabíamos que era ela. O pediatra mandou me chamar.
Mal vi a enfermeira saindo com ela enquanto o pediatra dava os últimos comandos para a enfermeira, após o que ele me disse que devido ao fato de o parto ter-se demorado e dela ter engolido líquido, estava com o pulmão meio debilitado e que teria que ficar na UTI. Ainda bem que havia vaga para ela garantida na UTI. Me perguntei: “E se não houvesse vaga, o que fariam? Eu teria que procurar outro hospital e provavelmente teria que fazer o parto no meio da rua?” Ainda ouvi o médico comentar com a enfermeira que um tal de apgar tinha sido 1 e 7.
Voltei para a sala onde estavam a médica realizando sutura na minha Rô e falei com minha Rô que a bebê tinha ido para a UTI e que teríamos mais notícias depois.
Nem parecia que ela tinha passado por um parto. À exceção de um pouco de inchaço sua fisionomia estava ótima. Saí e fui avisar a minha sogra do que tinha ocorrido e que a Rô estava bem e que o bebê tinha ido para a UTI. Fomos para o quarto e ficamos aguardando a chegada da Rô. Ligamos para o sogrão e comecei a ligar para meus pais e irmãos. Vocês podem se perguntar porque não havia ligado para eles antes, mas todos haviam viajado e estavam a mais de 500km de distância. Era sábado de Carnaval.
Minha Rô cheogu no quarto algum bom tempo depois. Após uma conversa e um tempo, saí para comer alguma coisa enquanto ela ia tomar banho, sozinha. Uma enfermeira ficou no banheiro somente para o caso de alguma necessidade. Voltei mais tarde e ficamos aguardando a hora de podermos ir ver a Moema, ainda sem nome.
Liguei para alguns amigos para avisar. Mandei mensagem para outros. O Ruffles e a Ana já foram nos visitar quando nem bem tinha terminado o parto.
Era por volta das 20 horas quando entramos na UTI neonatal. Tivemos que usar uma bata e lavarmos as mãos como se fôssemos médicos prestes a entrar num centro cirúrgico para poder vê-la. Ela estava deitada de barriguinha pra cima, tão pequena e indefesa. Havia sobre a cabeça dela uma coisa de acrílico que viemos depois a saber que era o respirador de oxigênio. Ficamos um tempo observando a sua perfeição. Olhei pra Rô e perguntei: “E aí, qual o nome? Moema mesmo???” Minha Rô olhou bem pra nossa menina e disse que sim. Agora havia Moema.
Não pudemos ficar muito tempo pois o período de visitas já estava no fim. Somente voltei mais tarde e pedi o favor para uma das enfermeiras para poder fotografar Moema para os avós, que aguardavam no quarto da Rô e não puderam entrar. A enfermeira bastante solicita me permitiu tirar algumas fotos. Tão pequena, com um tubinho na boca pra sugar a saliva dela, Moema. Mostrei depois as fotos para todos e todos nos emocionamos vendo-a.
Ë estranho olhar para essa pequena figura. Parece gente, mas tão pequena. Nos olha e não nos vê. Dorme o tempo todo e quando não dorme, chora e mama e faz cocô. Ainda assim é impossível não se emocionar. Não sei se já caiu a ficha, mas essa menina já mudou algumas coisas na minha vida e vai mudar ainda mais. Minha mulher não é mais a mesma. Não é mais só minha mulher. É mãe da minha filha. Não está mais com aquele barrigão, desinchou. Não dorme mais tanto quanto antigamente, afinal a matriz da Rô’s foods and services funciona agora 24 horas por dia 7 dias por semana 365 dias por ano somente para atender uma única cliente, Moema.
Quando será que ela vai dizer papai a primeira vez???
Será que vou querer matar o primeiro namoradinho dela, além de todos os outros???
Será que vou ser um pai amigo, companheiro ou vou ser daqueles que são mandões???
Agora a vida é cheia de perguntas em relação ao futuro, em relação à Moema. Só espero ser um bom pai, um bom amigo, espero educar e ensinar a minha filha a ser uma boa pessoa. O resto vai depender das decisões dela, isso quando ela tiver maturidade para tomá-las. Mas vai levar muito tempo para precisar pensar nisso. Talvez uns 10, 15, 20 anos. Não foi ontem, a há 18 anos que comecei a namorar a Rô, então, vai ser amanhã que vou pensar nisso. O único problema é que o amanhã chega sempre antes do que a gente pensa.
Até a próxima.
Sílvio


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Agora sim sei toda a história do nascimento da Moema!!!
“Será que vou querer matar o primeiro namoradinho dela, além de todos os outros???”
SIM!
Muito amor a essa família linda,que eu amo tanto!